quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ode ao ontem
Obviamente, manter a rotina e deixar tudo como é, automático e tranquilo, é uma escolha muito agradável, enquanto a água bater na bunda pode-se ignorá-la, mas não quando vem um tsunami para cima de ti.

É isso que a indústria artística anda passando, não tanto as plásticas, pois você não pode fazer download de um Picasso, por mais que queiras. Mas o que dizer do cinema e da música?

Os músicos andam colocando o pé na frente e buscam maneiras de mudar o sistema de obtenção de suas obras. Como exemplo óbvio, citarei o Radiohead.

1. Sim, eu adoro Radiohead.
2. Não, não citarei o fato deles venderem as músicas pelo preço que o ouvinte deseja pagar.

Existe um outro elemento que foi muito marcante no lançamento do In Rainbows, mas ninguém lembra. Você tinha 5 escolhas a serem feitas ao visitar o site de "compra":

1. Baixar as músicas de graça
2. Baixar as músicas por um valor simbólico
3. Comprar a BOX SET, cheia de extras.
4. 1+3
5. 2+3

Essa BOX SET é maravilhosa, convenhamos. O conteúdo dela consiste em 2 vinis com o In Rainbows, o encarte original com a arte maravilhosa do Stanley Donwood, o CD com o albúm e um CD adicional com as faixas bônus, as quais não estavam inclusas no download gratuito.

Agora pode-se falar de revolução. A venda do produto artístico hoje em dia necessita da troca entre dinheiro e objeto (ou experiência). O objeto seria o albúm para a música e o "disco" (blu-ray; dvd) para o cinema, enquanto a experiência consistiria no show e na ida ao cinema.

Para a música nunca foi um problema balancear a experiência com o objeto, afinal, são momentos completamente diferentes, já para o espectador atual, acostumado a assistir seus filmes em sua televisão, o ato de ir ao cinema tornou-se obsoleto, perdeu a magnitude que possuía. A tela grande perdeu seu poder.

Para o espectador de cinema o que interessa é o filme, como a experiência cinematográfica perdeu seu valor, apenas o conteúdo fílmico é o que interessa. Logo, se ele só quer assistir ao filme, em casa ou no multiplex a diferença é nula.

Nesses tempos onde o download é tão acessível a todos, o cinema entrou em desespero. As bilheterias diminuíram, mas as vendas de DVD's se mantem. Por quê?

O objeto, como sendo a maneira mais complexa de se obter o produto artístico atualmente, tornou-se item de colecionador e isso o oferece uma aura. A conquista de possuir o DVD ou o CD que tantos outros preferiram baixar da internet. Isso coloca o comprador em um patamar acima dos outros apreciadores da tal obra (ao menos para seu ego).

Obviamente, se o conteúdo do objeto em nada mais se diferenciar do possível download, não há atrativo para o colecionador além de sua própria materialidade, aí que a box set do Radiohead entra. Você compra uma obra de arte (o CD); adquire outra obra de arte (o CD bõnus); uma outra forma de arte (o encarte, que é belíssimo); o seu CD em uma qualidade sonora melhor (os vinis).

Você adquire diversas obras de arte ao adquirir a box set, não que ambos os não possam ser baixados, mas os vinis e, principalmente, o encarte, não podem. O encarte se enquadra nas artes plásticas, as quais, como citei no início, não sofrem tanto com a pós-modernidade.

Aí vamos á indústria do DVD, com as exceções da Criterion lá fora e de alguns filmes da Versátil aqui no Brasil, os objetos vêm (ou não) compostos de diversas coisas, mas apenas uma obra de arte, o filme em si, que poderia ser obtido via internet.

Exemplos tolos:

1. Fogo contra Fogo, DVD simples, Warner. É o filme e a legenda, nada mais, então, porque diabos você compraria isso ao invés de baixá-lo?

2. Fogo contra Fogo, DVD duplo, Warner. É o filme em um disco e uma tonelada de extras no outro. O problema é que esses extras são curiosidade, bastidores, nada de arte adicional. Serve para fã, não para apreciador de arte.

3. Se7en - Os Sete Crimes Capitais, box set com dvd duplo e encarte, Warner. É o filme em um disco, extras no outro, que incluem finais alternativos, bloco de notas e mais um monte de coisa que pode ser bem interessante. Mas o importante é a caixa, só ela já vale mais que o filme, clique no link e veja as fotos. O fator objeto nesse caso aumenta, pois o vendedor ali quando diz raríssimo está bem correto, vi essa box set uma única vez na vida em uma locadora e a comprei para um presente, acabei vendendo por "divergência de idéias". Nunca mais achei.

Obviamente, está fora de catálogo, foi uma piscadela d'um ser em coma.
posted by Phillip @ 05:02  
1 Comments:

Postar um comentário

<< Home
 
 
Criador

Previous Posts
Archives
Shoutbox

Mais Phil
Orkut
Cineclube
Facebook
Twitter
Flixster
Criticker
Last FM
Alheios
chama piloto
je ne regrette rien
assim falou szabatura
21st century schizoid man
god bless insomnia
Template By
Free Blogger Templates
© Wax Simulacra